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O Que Te Resta

A vida lembra-nos constantemente que é um ciclo constante e mutável entre estações, o dia e a noite, e tudo isso só para nos recordar da sua inconstância, das suas variantes mutabilidades continuas, e nós viajamos num corpo que assume estes ciclos como condição sua então como estamos? Confusos ou desanimados?
A nós resta-nos a alternativa de aproveitar o que temos, e corremos contra o tempo, paramos o relógio e deixamo-nos ficar e voltamos a correr também nós criamos ciclos de conforto e o tempo passa e nós passamos mas, a vida tem voltas estranhas ou nós humanos é que somos estranhos e complicados, então olhamos à nossa volta e tudo se foi, nada ou quase nada existe... Tudo mas tudo se foi. Sentamo-nos então derrotados e tristes, vazios e cheios de mágoas, dançamos com os nossos fantasmas para apaziguar a consciência adormecer os nossos medos e de novo olhamos para trás vemos o grande livro da vida e lemos o que lá está escrito, uma espécie de diário de bordo olhamos o vazio que há e…

Sons na Noite

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Abri a porta do quarto e os meus passos deslizaram como se flutuassem sobre o chão frio, e lá fui em direcção á janela. Encostei o rosto ao vidro, senti o frio e escutei a chuva lá fora. Abri-a eo vento trouxe a chuva de encontro ao meu rosto, o som das ondas inquietas e revoltas ao longe mas apesar disso quase podia absorver o seu cheiro a mar enquanto um comboio fugia desesperadamente da tempestade num rugido rouco e aflito. Aspirei com prazer a noite acendendo um cigarro partilhado com as gotículas de chuva que o vento generosamente me doava.
"Será que o dia está longe?",pensei. Uns passos leves aproximaram-se enquanto um corpo quente se encostou a mim num abraço apertado, intenso, doce deixei-me estar, simplesmente estar em silêncio, não eram necessárias palavras. Afinal, as palavras por vezes só servem para complicar, cortar a magia dos silêncios, dos olhares mesmo do meu apesar de não a ver posso sentir o pulsar do seu corpo colado ao meu, a sua respiração quase indelév…

O Rio Que Há Em Mim

Apesar da hora, cerca de 7 da manhã, dava para perceber que o dia seria quente e enquanto percorria a estrada de terra batida junto ao Sorraia, onde as suas águas sem parar entrelaçavam os seus eternos murmúrios com o trinado dos pássaros numa refrescante harmonia matinal. Continuei a andar observando a margem do lado de lá do rio, onde os campos que se perdiam de vista outrora viçosa verdejantes , ganhavam agora novas tonalidades alaranjadas com o aproximar do verão. Num jeito indolente mas ritmado, as águas do rio corriam em direcção ao Tejo por entre as vilas e as lezírias ribatejanas que o acolhiam entre as suas margens como num abraço. Caminhava lentamente tal como o sol subia no nesse céu tão azul, sentei-me num banco de pedra ao acaso deixando correr o tempo, as águas, as minhas emoções. Já tinha perdido tanta, mas tanta coisa, ficaram as mágoas que me acompanhavam como se fossem as minhas sombras. Tinha cada vez mais a noção da talvez inevitável falência dos meus olhos, provav…

Eu Sou o que Eu Sou

Eu sou o Amor pelos meus filhos!, Eu sou o que os olhos já não vêm, Eu sou o que vejo pelas minhas mãos, Eu sou o que sinto, Eu reconheço-te pelo que és não pelo que aparentas ou queres fazer parecer, Eu sou a irreverência do mar, Eu sou a inquietação do vento, Eu sou a inconstância do sol, Eu sou a placidez da terra, Eu sou qualquer um, Eu sou o que eu sou, Sou um projecto inacabado de um escritor, um aprendiz de blogger,as palavras encantam-me e jogar com elas seduz-me, exorciza os meus fantasmas, transmuta o negativo em positivo, Eu sou o que aprendo, Eu sou o que construo ou desconstruo, Eu sou Tu! És o meu espelho, eu sou o teu reflexo, Se gostares deste espaço fica pois és muito bem vindo, Se não gostares fica mas no blogue ao lado, Sou um livre pensador Eu sou um qualquer, jamais serei qualquer um, Eu sou o que eu sou
Eu sou Célio Santana Tive pressa de nascer Tive pressa de viver, Andei sempre a mil, Um dia a vida chegou devagar sentou-se à minha frente e disse "Chegou a…

Uma Bengala na Multidão

Os meus passos perdiam-se entre a multidão e os toques da minha bengala branca que como um detector de percursos e de obstáculos me fornecia todas as indicações necessárias para tornar o meu caminho o mais seguro e tranquilo possível. Andar em Lisboa, aprender aqui é mais fácil do ponto de vista da impessoalidade, somos apenas mais um na enorme multidão, a minha aprendizagem flui de forma mais física, a minha parte emocional não acusa qualquer constrangimento, qualquer incomodo que interfira ma minha concentração ou que geretensões acrescidas aquelas que já enfrentamos naturalmente e que advêm desta nova complexa e difícil condição de cegos. Os desafios são enormes, talvez mesmo gigantescos, do ver pouco ao não ver vai uma distância brutal, e no caso da mobilidade, uma das nossas maiores obsessões, passa a ser absolutamente necessário criar novos mapas mentais memo dos sítios ou percursos que antes conhecíamos tão bem mas, agora de pouco nos serve uma vez que na maioria dos casos nos…

A Luz e a Sombra 1 DESCONSTRUIR

A Luz e a Sombra 1 DESCONSTRUIR

Normalmente, vemos a vida como uma construção umas vezes complexa e difícil e outras com momentos mais agradáveis, umas vezes, dolorosa e cheia de mágoas e ódios e outras tantas onde respiramos alguns sorrisos. Mas, em todas essas situações vêmo-la como uma construção onde as peças vão sendo encaixadas, substituídas, a sua forma alterada ou modificada mas, a sua estrutura não. Essa estrutura é a base que nos dá a solidez necessária para que sejamos capazes de enfrentar as situações mais ou menos difíceis que nos surgem no decorrer do nosso caminho, sem essa base , acreditamos nós com absoluta convicção, que jamais seriamos capazes de o conseguir. Então para validarmos as crenças que tão laboriosamente elaborámos e que no fundo não é mais do que uma espécie de cortina que nos protege de nós mesmos, assim limitamos o nosso espaço e muito mais ainda os nossos horizontes. Sentimo-nos a salvo, afinal é fácil, tão fácil, podemos então deitar a cabeça no traves…

Memórias Cruzadas ou Talvez Não

Memórias Cruzadas ou Talvez Não observo com relutante indiferença e alguma ironia que tenho o "péssimo" hábito de não fugir, quer aos assuntos quer aos pensamentos que vão chegando. Seria muito bom, como não o faço, tenho que dar a mim próprio respostas credíveis uma vez que só dessa forma me é possível diminuir os conflitos internos. Os pensamentos não se eliminam, só desaparecem quando são resolvidos, há pois que aquietar a mente o melhor possível. Fácil não é mas é possível, não sei avaliar como pensam ou sentem os outros, logo falo apenas na minha experiencia , assim que para mim a alternativa que me parece é ir o mais a fundo possível, entrar no "olho do furacão", e sem se tornar parte do problema mas, resolvê-lo por dentro tentando no entanto ter uma visão o mais tridimensional de toda situação para observar de todos os ângulos e assim ter uma melhor capacidade de resolução. Ás vezes, e apesar de ter consciência de que devemos deixar algumas coisas para traz ou …